quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Na Volta
Hoje voltei pra casa cedo e sentei no corredor, longe da janela, num dia estranhamente nublado prometendo uma chuva que nunca chega. Enquanto uma brisa fria enxugava o meu suor, revivi memórias de uma infância distante até em quilômetros, dessas que arrepiam a espinha e fazem palpitar as parótidas! Triste constatação a minha: nada pode ser como foi naquelas tardes de praças e parques, pois exageraram nos corantes e os sabores agora procedem de vidros insípidos. Tenho estado durante tão pouco tempo dentro do teu mar que às vezes me pego a devanear em outras praias...
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Turkish Gold aquece a alma
Suave e saboroso como os seus beijos. Chegou a mim de súbito assim como você, numa presença maldita e apreciada, dessas necessidades de se ferir quase diárias. Percorre a boca desenhando o infinito e deixa aquele aroma de desejo e satisfação que esconde a causa da minha ruína. O bastante para saciar o meu espírito masoquista.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Passagem Interior
Os pedaços de fita que entremeavam a sala tornaram-se muros e cada um percorria o seu caminho solitário, repetitivo, claustrofóbico. Corredores cheios do quanto podia conter: abudantemente vazios. Foi quando a própria presença já não era suficiente. Quando a própria companhia já não satisfazia buscou-se a reparação no outro. Correram juntos pra lugar nenhum, sentaram e meditaram em vão, deitaram sem descanso. Andaram à procura um do outro desprovidos de contato, mas com uma proximidade de causar influência além dos limites estabelecidos pelos pedaços de fita que entremeavam a sala e tornavam-se muros...
É que talvez finalizar seja continuar caminhando, de um lado pro outro, percorrendo o caminho riscado, num vai-e-vém infinito.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Ama-me ou mata-me
Enojando-me por isso
Implorando por isso
Gritando por isso
Contorcendo-me por isso
Padecendo por isso
Muitas pessoas me conhecem, elas não estão apaixonadas por mim.
E os ratos comem o meu rosto...
Cleansed - Sarah Kane (1998)
terça-feira, 14 de julho de 2009
Am I good? Am I evil?
Eu realmente não pretendia estar aqui dizendo estas coisas e... Desesperadamente eu não queria nem sentir isso tudo. Mas é que as coisas tendem a se repetir, repetir, repetir... Eles sempre fingem se preocupar com o meu sono e minha vígilia, ainda que minhas olheiras constantes me denunciem. Confiam fechar os olhos enquanto eu velo seus sonhos e vivo o meu pesadelo. O que é sussurrado nos meus ouvidos soa como as mais deliciosas das mentiras, dessas que você saboreia com o prazer dos masoquistas mais pervertidos. Eu não poderia viver sem isso. Então irei até o fim e cair de cara na lama do fundo desse poço. Fria, viscosa, escorregadia... Eu não poderia viver sem isso.
terça-feira, 7 de julho de 2009
Entrega
In times like these
In times like those
What will be will be
And so it goes...
Pensando...
( e o que está nesse espaço vazio nunca será dito)
Sua dualidade irritante me faz perder a razão e fundada em meras hipóteses, suposições inundadas de incertezas e medo, daquele medo que lhe confessei em seus braços, eu me entrego. Já não posso mais com essa obrigação imprescindível de primeira necessidade da sua presença poro a poro, roubar o calor do seu corpo, mantê-lo algemado a mim, afundar-me no seu peito quando acordo aflita por devanear sua fuga enquanto permanece imóvel ao meu lado. Procuro os sabores, os cheiros, os sons e tudo mais que possa trazê-lo aqui. Nunca estive tão ansiosa, receosa, tão propensa às inclinações amorosas.
In times like those
What will be will be
And so it goes...
Pensando...
( e o que está nesse espaço vazio nunca será dito)
Sua dualidade irritante me faz perder a razão e fundada em meras hipóteses, suposições inundadas de incertezas e medo, daquele medo que lhe confessei em seus braços, eu me entrego. Já não posso mais com essa obrigação imprescindível de primeira necessidade da sua presença poro a poro, roubar o calor do seu corpo, mantê-lo algemado a mim, afundar-me no seu peito quando acordo aflita por devanear sua fuga enquanto permanece imóvel ao meu lado. Procuro os sabores, os cheiros, os sons e tudo mais que possa trazê-lo aqui. Nunca estive tão ansiosa, receosa, tão propensa às inclinações amorosas.
domingo, 7 de junho de 2009
Linha Tênue
Sua aproximação traz uma debilidade ao ponto de perder (pelo excesso da falta) as forças. O reencontro mata mais que a saudade. Eu poderia usar óculos escuros o dia inteiro, em todo lugar, só pra não ter que encontrar os olhos dele. Toda essa minha rigidez e violência é para conter o mar que se derrama em mim. Basta um toque e eu me desfaço. Odeio essa brandura suave e entusiasmada por ti. Odeio essa necessidade de conservá-lo por perto. Afeição que nego e que tanto desejo.
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